A arte de não engolir sapos? Ou a arte de os saber digerir?

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Autora – Joana São João Rodrigues 

Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia

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Todos nós, já passámos com certeza por algumas situações em que nos vimos “obrigados” a engolir sapos… Isso não significa que tenhamos sido obrigados a não dar o nosso parecer e a nossa opinião, como também não significa que tenhamos ficado zangados o resto da semana por termos engolido esse sapo. E se pensarmos bem, se calhar até nem fomos realmente obrigados a engoli-lo, o mais provável é que tenhamos optado pelo que nos parecia a atitude com mais ganhos, ou pelo menos com consequências menos negativas.

O que afinal será mais sensato? Não aceitar engolir os tais ditos sapos? Assumir uma postura de rejeição total perante qualquer situação que nos obrigue a engolir sapos? Em todas as circunstâncias? E se não considerarmos o engolir sapos, como uma atitude total de submissão e passividade, mas sim de opção?

Será mais sensato aprendermos a fazer uma digestão, a melhor possível para cada tipo de sapo que engolimos?

Aqui, no momento antecipatório em que decidimos engolir ou não o sapo, a nossa leitura e interpretação sobre o acto em si, irá influenciar a nossa decisão. Se eu sentir, por exemplo, que estou a ser humilhada propositadamente, e se isso me revoltar, e reagir de forma mais impulsiva, provavelmente não vou suportar a ideia de engolir o sapo. Ou, ao considerar que a situação não é justa, mas que a pessoa até pode não conseguir ver a minha perspectiva, posso decidir não engolir o sapo, por não concordar, contudo, posso explicar o meu ponto de vista e a minha razão para não o fazer. Contudo, talvez caso essa pessoa seja o nosso chefe, ou alguma pessoa que nos pode criar alguns problemas, essa ponderação já poderá ser diferente. Ou seja, apesar da minha vontade poder ser a mesma, de não engolir o sapo e de responder de acordo com a minha leitura, posso adoptar uma atitude mais controlada e tranquila. E até poderei decidir, que naquele caso, aquele sapo não me irá incomodar assim tanto…?

A sensação de desconforto nesses momentos, pode ser sentida de forma menos intensa, exactamente porque podemos conseguir ver que é uma opção nossa, e que de facto até tenho a ganhar (ou a não perder) e por esse motivo, essa decisão pode acabar mesmo por ser uma atitude de maturidade? O conseguirmos tolerar a frustração, não ficando a remoer, aceitando que a nossa opção é a mais acertada no momento.

A capacidade de reflexão, a avaliação da situação por diversas perspectivas e a ponderação, serão com certeza grandes ajudas que nos ajudam a decidir se não o vamos engolir, ou se vamos colocar condimentos para nos facilitar a digestão…

 

Autora: Joana de São João Rodrigues 

 

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