Cancro do Fígado – Sintomas e Tratamento

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Cancro do Fígado – Sintomas, Diagnóstico e Tratamento 

O Cancro 

As células epiteliais do fígado são as responsáveis pela constituição do tecido do fígado. No seu estado normal, estas células crescem e dividem-se em novas células, que são formadas à medida que vão sendo necessárias, este processo chama-se regeneração celular.

Quando as células normais envelhecem ou são danificadas, morrem naturalmente. Quando as células perdem este mecanismo de controlo e sofrem alterações no seu genoma (DNA) tornam-se células de cancro. Estas não morrem quando envelhecem ou se danificam e produzem novas células, que não são necessárias, de forma descontrolada e dando lugar à formação de um cancro.

Ao contrário das células normais, as células de cancro do fígado não respeitam as fronteiras do órgão, invadindo os tecidos circundantes ou disseminando a outras partes do organismo. A este processo dá-se o nome de metastização.

Subtipos

Existem vários tipos de cancro do fígado:

Cancro do fígado primário – cancro com origem no fígado, pouco frequente;

Cancro metastático ou secundário – cancro que se disseminou ou espalhou para o fígado, mas que teve origem noutros órgãos.

Os cancros primários do fígado podem apresentar-se de vários subtipos:

Carcinoma hepatocelular (hepatoma ou hepatocarcinoma) – Estes cancro tem origem em células epiteliais que formam o fígado. O carcinoma hepatocelular é o tumor mais frequente do fígado dos adultos.
Hepatoblastoma – Estes tumores pediátricos têm origem em células embrionárias do fígado;

Sarcomas do fígado – São tumores muito raros que têm origem em células do fígado que não são epiteliais, podem ser vasos, músculo ou tecidos de suporte. 

Epidemiologia

O cancro do fígado é o sexto tumor mais frequente no mundo, com aproximadamente 1 milhão de novos casos registados anualmente.

É o tumor maligno mais frequente em África e na Ásia, mas é raro no Mundo Ocidental. Esta variação geográfica reflecte a variação da incidência das infecções por vírus de hepatite C e hepatite B, que são responsáveis por 75% de todos os casos no mundo. A incidência aumenta com a idade, sendo a a idade média do diagnóstico na 5ª e 6ª década de vida. O cancro do fígado é 2,4 vezes mais comum nos homens do que nas mulheres. 

Fatores de risco

Qualquer comportamento ou condição que aumenta o seu risco de ter uma doença é um factor de risco. Se um ou mais factores de risco se aplicarem a si, não quer dizer que desenvolverá necessariamente cancro do fígado. Da mesma forma, o cancro do fígado pode aparecer em indivíduos que não apresentem factores de risco conhecidos.

Ainda não foi possível encontrar as causas para o cancro do fígado, mas alguns factores de risco são conhecidos. Os principais factores de risco são:

  • Infecção por vírushepatite B ou C;
  • Antecedentes familiares- ter um parente próximo com infecção por vírus de hepatite B e cancro do fígado;
  • Cirrose, que pode ser causada pelo consumo abusivo de álcool;
  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Consumo de alimentos colonizados por aflatoxina, substância produzida por um fungo que pode crescer nos alimentos como leguminosas e frutos secos que não foram correctamente armazenados.

Diagnóstico

Num doente com história cínica e exame clínico suspeitos de cancro do fígado devem ser pedidas análises gerais ao sangue que incluem a avaliação da função do fígado e um marcador tumoral chamado alfa fetoproteína. Devem ser feitos exames de imagem que podem incluir ecografia, TAC e RMN.

O médico pode proceder a uma biopsia dos tecidos, ou seja, efectuar uma colheita de células do fígado para análise ao microscópio. A biopsia ao fígado pode ser realizada pela introdução de uma agulha fina pela pele até ao órgão, guiada por TAC ou ecografia. Alternativamente pode ser feita uma cirurgia laparoscópica, procedimento no qual o cirurgião introduz através de uma pequena incisão no abdómen um equipamento – laparoscopio – que contém uma ferramenta para remover parte do tecido do fígado

Só quando observado ao microscópio o material colhido em biopsia da massa do fígado suspeita é que é possível confirmar o diagnóstico dum cancro do fígado.

SINAIS E SINTOMAS

Os sinais e sintomas do cancro de fígado, muitas vezes só aparecem em estágios mais avançados da doença, mas às vezes eles podem aparecer mais cedo. Se consultar o médico aos primeiros sintomas, o cancro pode ser diagnosticado mais precocemente e o tratamento é iniciado, quando ainda é mais provável de ser útil.

Os sinais e sintomas do cancro de fígado podem incluir:

•    Perda de peso.
•    Falta de apetite.
•    Sensação de plenitude na parte superior do abdómen, após uma refeição leve.
•    Náuseas.
•    Vómitos.
•    Febre.
•    Fígado aumentado.
•    Baço aumentado.
•    Dor abdominal.
•    Inchaço ou acúmulo de líquido no abdómen.
•    Coceira.
•    Icterícia (pele e mucosas amareladas).
•    Veias da barriga dilatadas e visíveis através da pele.
•    Agravamento da hepatite crônica ou cirrose.

Alguns tumores hepáticos produzem hormnas que atuam em outros órgãos além do fígado e podem causar:

•    Hipercalcemia (Aumento do cálcio no sangue).
•    Hipoglicemia (Diminuição do açúcar no sangue).
•    Ginecomastia (Aumento da mama em homens).
•    Eritrocitose (Aumento dos glóbulos vermelhos do sangue).
•    Altos níveis de colesterol.

Estes sintomas também estão relacionados a outras doenças, não são necessariamente sinais e sintomas exclusivos do cancro de fígado. Entretanto, existindo qualquer um desses sintomas, um médico deverá ser consultado para o diagnóstico preciso e o início do tratamento caso necessário. 

Tratamento

Tendo em conta o estado do cancro do fígado, a equipa clínica multidisciplinar avaliará o melhor tratamento a seguir.

O mesmo poderá incluir a cirurgia, radioterapia e a terapêutica sistémica.

– Doença localizada operável – normalmente tratada por cirurgia;

– Doença avançada localmente – as opções de tratamento incluem a realização de cirurgia com transplante ou outras técnicas locais, a radioterapia e terapêutica sistémica;

– Doença disseminada – as opções de tratamento incluem a terapêutica sistémica e eventualmente a radioterapia.

O procedimento cirúrgico para o cancro do fígado dá pelo nome de hepatectomia e consiste numa cirurgia abdominal que pode ser de duas naturezas:

– Hepatectomia parcial – Nesta cirurgia remove-se parte do fígado que tem o cancro;

– Hepatectomia total – Nesta cirurgia remove-se a totalidade do fígado e tem de se transplantar o fígado dum dador.

Nesta cirurgia devem ser retirados também amostras aos gânglios linfáticos.

Existem outras técnicas locais usadas para tratar o cancro do fígado realizadas por cirurgiões, radiologistas de intervenção ou radioterapeutas:

– Ablação por radiofrequência – procedimento que consiste na introdução de uma sonda que contém pequenos eléctrodos, para destruir as células de cancro através do calor. Geralmente o medico introduz a sonda por via cutânea, com recurso a uma anestesia local e pode ser necessário utilizar uma ecografia, ressonância magnética ou TAC para guiar a sonda até ao tumor;

– Criocirurgia – procedimento que consiste na introdução de uma sonda para destruir as células de cancro através do frio;

– Injecção de etanol na lesão – o médico introduz uma agulha fina guiada por ecografia, injectando álcool (etanol) directamente no tumor e destrói as células de cancro. Geralmente a agulha é introduzida por recurso a anestesia local, contudo se o doente apresentar vários cancros do fígado, poderá ser necessária anestesia geral;

– Embolização – Este procedimento consiste na introdução de um cateter numa artéria da perna para chegar à artéria do fígado. Através do cateter o médico injecta partículas que bloqueiam o fluxo de sangue da artéria do fígado, provocando o enfraquecimento do tumor. O fígado continua a trabalhar normalmente uma vez que recebe o sangue por outros vasos;

– Quimioembolização – este procedimento é similar à embolização, sendo que o médico injecta um medicamento de quimioterapia antes de introduzir as partículas que bloqueiam o fluxo de sangue da artéria do fígado. Sem fluxo de sangue, o medicamento mantém-se por mais tempo no fígado.

O tratamento por radioterapia no cancro do fígado pode ser de duas naturezas:

  • Radioterapia externa– tratamento por radiação ao peito e abdomen, com recurso a um equipamento denominado acelerador linear;
  • Radioterapia interna– tratamento por radiação através da introdução de pequenas esferas radioactivas injectadas por cateter na artéria do fígado.Estas esferas bloqueiam o fluxo de sangue da artéria do fígado, provocando o enfraquecimento do tumor e levando a radioterapia de modo selectivo ao local afetado.

Relativamente à terapêutica sistémica em cancro do fígado, a quimioterapia clássica é pouco útil e usam-se terapêuticas dirigidas e biológicas cada vez mais frequentemente, nomeadamente a utilização de uma substância chamada surafenib. Este tipo de terapia abranda o crescimento do tumor e reduz o fluxo de sangue para o mesmo.
 

Autor: Viva Saúde 

 

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