Colesterol o que é? Valores de referência e cuidados a ter

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Autor- Filipe Airosa

Enfermeiro

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SAIBA TUDO SOBRE O COLESTEROL

Apesar da conotação tipicamente negativa que associamos ao colesterol, devemos ter consciência que nem tudo é assim tão mau, e que, se devidamente controlado, este componente é tão importante e benéfico como qualquer outro presente no nosso organismo.

Na verdade, ninguém vive sem colesterol porque é essencial para a vida. O problema é a quantidade e a qualidade desse colesterol que circula no nosso sangue.

Vamos, então, compreender em primeiro lugar, o que é o colesterol e quais os seus benefícios e, em segundo lugar, os problemas que advêm da falta de controlo nos valores.

O QUE É O COLESTEROL?

Sabia que em Portugal cerca de 70% da população adulta tem o colesterol elevado? Ou seja, 2 em cada 3 portugueses têm o colesterol elevado. Já pensou se é um deles?

O colesterol é uma gordura essencial existente no nosso organismo, que pode ter duas origens:

  • Endógena – produzido pelo nosso próprio corpo, principalmente pelo fígado;
  • Exógena – obtido através da alimentação em alimentos como carne, leite, ovos, etc.

A sua circulação no sangue é sempre feita ligada a uma proteína. E este conjunto colesterol+proteína é cientificamente denominada de lipoproteína. As lipoproteínas são classificadas em altas, baixas ou muito baixas, em função da respetiva proporção de proteína e gordura em cada uma, o que determina a sua densidade.

FRAÇÕES DO COLESTEROL

De um modo geral, as lipoproteínas de alta densidade transportam o colesterol das células para o fígado, já as lipoproteínas de baixa densidade levam o colesterol para as células.

  • Lipoproteínas de baixa densidade (LDL): as transportadoras de colesterol do fígado, onde é produzido, para os tecidos (dos músculos e dos órgãos) para que possa ser utilizado. São vulgarmente conhecidas como “colesterol mau”, por serem aquelas que se depositam na parede das artérias, provocando problemas cardiovasculares. Quanto mais altas forem as LDL no sangue, maior é o risco de doenças cardiovasculares;
  • Lipoproteínas de alta densidade (HDL): as transportadoras de colesterol dos tecidos e dos vasos novamente para o fígado, desta vez para ser eliminado. São também conhecidas por “colesterol bom”, que tem como papel que tem como papel a limpeza das artérias, pelo que quanto mais altas forem, menor risco há de surgirem doenças cardiovasculares;
  • Lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL): são semelhantes às LDL, mas contendo mais gordura e menos proteínas;
  • Triglicéridos: são um outro tipo de gordura que circula no sangue ligada às VLDL. Uma alimentação excessivamente rica em calorias, açúcares ou álcool eleva os triglicéridos, aumentando o risco cardiovascular também.

Para que não fique confuso, mais à frente vamos focar a nossa atenção essencialmente nas LDL e nas HDL, uma vez que são as que mais ouvimos falar quando vamos consultar um profissional de saúde de referência.

Aproveito para partilhar consigo um vídeo muito breve para que fique a compreender de uma forma simples e genérica a dinâmica do colesterol no nosso corpo:

QUAL A SUA IMPORTÂNCIA?

O colesterol é fundamental para a produção de vitamina D, que aumenta a absorção intestinal de cálcio e intervém na regulação do humor, produção de ácidos biliares que auxiliam a digestão, e na produção de diversas hormonas, como as hormonas sexuais e o cortisol. Tem também uma importante função estrutural, sendo utilizado para produzir as membranas das células do nosso organismo.

Além de todas estas funções importantes, o colesterol também atua no combate aos microorganismos causadores de algumas infeções e é um dos compostos dos nossos neurónios para auxiliar na condução dos nossos impulsos nervosos.

 Assim sendo, e de uma forma mais sistematizada, saiba que o colesterol é importante para:

  1. Produção de hormonas que ajudam a combater o stress;
  1. Produção de hormonas sexuais, como por exemplo, a testosterona, o estrogénio e a progesterona;
  1. Produção de vitamina D, vital para os ossos e sistema nervoso, crescimento, metabolismo mineral, tónus muscular, produção de insulina, reprodução e funcionamento do sistema imunológico;
  1. Produção de sais biliares. A bílis é vital para a digestão e assimilação da gordura da alimentação;
  1. Agente antioxidante, que nos protege contra as lesões por radicais livres que podem conduzir a doenças cardíacas e cancro;
  1. O leite materno é rico em colesterol;
  1. Bebés e crianças precisam de alimentos ricos em colesterol para o seu crescimento, garantindo o desenvolvimento cerebral e do sistema nervoso;
  1. O colesterol da alimentação desempenha um papel importante na manutenção da saúde do intestino. É por isso que alimentação vegetariana com pouco colesterol pode levar a problemas intestinais;
  1. O corpo usa colesterol para reparar células

Todo o colesterol proveniente do fígado ou dos alimentos ingeridos é transportado pelo sangue na forma de LDL para todos os tecidos do corpo.

VALORES IDEAIS

Vários estudos científicos, e o que se preconiza atualmente, sugerem que os valores de LDL devem ser inferiores a 115 mg/dL, enquanto que os valores de HDL devem ser superiores a 35 mg/dL nos homens ou 45mg/dL nas mulheres para que tenham um efeito protetor a nível cardiovascular. Os níveis de colesterol total devem situar-se abaixo de 190mg/dL.

No caso dos doentes com patologia cardiovascular, diabetes ou insuficiência renal recomendam-se valores ligeiramente diferentes.

Atente na seguinte tabela, para os valores ideais a considerar:

Parâmetro Pessoa saudável Pessoa com patologia associada
Colesterol Total Inferior a 190 mg/dL Inferior a 175 mg/dL
HDL homens Superior a 35 mg/dL Superior a 40 mg/dL
HDL mulheres Superior a 45 mg/dL
LDL Inferior a 115 mg/dL Inferior a 100 mg/dL

Como a hipercolesterolemia é assintomática, ou seja, não apresenta sintomas, é muito importante realizar exames para avaliar as dosagens de colesterol periodicamente, para detetar alterações nos valores sanguíneos. O diagnóstico de desta patologia é feita, precisamente, através da dosagem do colesterol total e suas frações.

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 COLESTEROL EM EXCESSO? PORQUÊ?

 Quando há excesso de colesterol no sangue, há uma interferência no processo de transporte do colesterol na forma de LDL para todos os tecidos do corpo, causando uma redução na captação do LDL pelas células e, consequentemente, um aumento da sua concentração no sangue.

Alterações metabólicas relacionadas com o colesterol são de enorme relevo em termos de saúde pública, uma vez que o aumento do Colesterol Total e do LDL favorecem a progressiva ou súbita obstrução dos nossos vasos sanguíneos, desencadeando um processo inflamatório que leva a mais deposição de colesterol e outras substâncias do sangue, denominada aterosclerose.

Esta condição clínica leva ao surgimento de diversos problemas cardiovasculares, como a hipertensão, angina de peito, insuficiência cardíaca, enfarte do miocárdio ou acidente vascular cerebral, uma vez que o processo inflamatório tende a agravar-se e a perturbar o normal funcionamento do sistema circulatório.

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São muitas as causas do aumento do colesterol no sangue:

  • Tendências genéticas ou hereditárias;
  • Idade;
  • Obesidade e sedentarismo;
  • Tabagismo;
  • Hábitos alimentares.

A Fundação Portuguesa do Coração diz-nos que é estimado que dois terços da população adulta portuguesa têm o colesterol elevado.

Se, por um lado, existem fatores de risco incontornáveis, como a hereditariedade e o aumento da idade, existem outros associados a estilo de vida e que dependem do controlo individual, como hábitos tabágicos, sedentarismo e má alimentação.

O QUE FAZER?

 Se já leu outras publicações que partilhei no Viva Saúde, já sabe o que lhe vou sugerir a seguir. As recomendações são sempre as mesmas, eu sei. Mas repare que, pensando que está a tentar ultrapassar ou solucionar um problema, está a evitar ou solucionar outros simultaneamente. Vamos, então, por partes.

Em termos de gestão da dieta, para conseguir reduzir o colesterol, a sua dieta deve ser rica em fibra vegetal e pobre em gorduras saturadas e trans.

A Fundação Portuguesa de Cardiologia recomenda o seguinte:

  • Aumentar o consumo de vegetais;
  • Garantir o consumo de 2 a 3 peças de fruta por dia;
  • Trocar os cereais e derivados de cereais refinados por versões integrais;
  • Aumentar o consumo semanal de peixes gordos e diminuir o consumo de carne, preferindo as carnes “brancas” e sempre retirando a pele e toda a gordura visível;
  • Incluir na alimentação sementes, frutos oleaginosos e leguminosas;
  • Preferir o azeite, óleos vegetais e cremes vegetais em detrimento da banha e manteiga;
  • Evitar a ingestão de produtos de charcutaria, de produtos de pastelaria e confeitaria, snacks doces e salgados e de outros produtos processados ricos em gordura saturada, trans e açúcares.

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Quanto à atividade física, o exercício regular baixa o colesterol das LDL e sobe as HDL, para além de ajudar a controlar o peso, a diabetes e a pressão arterial, fatores de risco importantes de doença cardiovascular. Aconselha-se a prática de 30 minutos diários de atividade física, no mínimo. Se não gosta de correr, opte por uma marcha em passo rápido.

Para os vícios, como o álcool e o tabaco, já sabe, de certeza, qual será a minha recomendação. A melhor solução é pôr esses malditos de parte. Evite a ingestão frequente de mais de uma ou duas doses diárias, no caso de ser consumidor de álcool, e cesse de vez esse vício maldito de fumar.

Procure garantir entre 7h a 8h horas de sono diárias. O sono é uma atividade diária de extrema importância para regular, recuperar e estabilizar o nosso sistema orgânico.

Mantenha controlo do seu peso corporal. Mantenha atenção se o seu peso é adequado para a sua altura e estatura corporal.

Se tem diagnóstico de colesterol elevado e é associado a fatores que não pode contornar, então procure tomar corretamente a medicação prescrita pelo seu médico. Se o seu problema é falta de controlo alimentar e absentismo, então moderação e força de vontade são palavras-chave para alcançar os seus objetivos e viver com mais saúde.

 

Autor: Filipe Airosa

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