Copo meio cheio ou meio vazio?

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Autora – Márcia Carrola  

Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia

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Copo meio cheio ou meio vazio? Como o vê?

A liderança sempre foi um tema alvo de inúmeros estudos. A grande importância da liderança nas guerras e na gestão dos exércitos motivou, Sun Tzu, a redigir há mais de 2500 anos “ A Arte da Guerra”.

Foram muitas as mudanças contínuas que as pessoas e o seu desempenho nas organizações passaram, ao longo da história.

Os trabalhadores deixaram, gradualmente de serem encarados apenas como meros prestadores de esforço físico e passaram a assumir uma importância como ser que pensa, com capacidades para inovar e avançar com novas soluções.

Hoje em dia, temos empresas com paradigmas muito diferentes.

Temos algumas que utilizam a pirâmide laboral à risca, onde as ordens passam do topo (empresário ou diretor principal) para as chefias intermédias passando as ordens para os restantes colaboradores.

O secretismo, autoritarismo e funcionamento ditatorial são as regras. Têm um estilo autocrático.

O líder decide sozinho, determina como e quem deve executar.

Temos outras empresas que funcionam com um estilo democrático, onde o líder orienta o grupo de colaboradores e incentiva a participação de todos.

Aqui a equipa pode tomar decisões. O líder assiste e participa nas decisões.

Por fim, temos empresas, muito mais raras em Portugal, com um estilo liberal onde as equipas tomam as decisões sem grande participação do líder.

O líder só participa quando solicitado.

Penso que podemos “quase” transferir estes estilos de liderança para os nossos agrupamentos de escolas, onde, consoante o estilo de liderança a qualidade de vida dos colaboradores e alunos varia.

O grau de satisfação dos trabalhadores e estudantes depende em grande medida da sua autonomia, capacidade de trabalho e autoestima.

Como psicóloga vejo e associo, inúmeras vezes, acontecimentos stressantes que descambam em doença física.

Grande maioria dos meus pacientes, graúdos e miúdos, trazem queixas, muitas queixas dos ambientes que frequentam.

O conflito faz parte da nossa vivência enquanto seres sociais promovendo desde sempre o crescimento e desenvolvimento das nossas sociedades.

O modo como assimilamos o conflito e o resolvemos produz melhor ou pior saúde mental.

A qualidade de vida de um trabalhador, de um aluno que é incentivado a melhorar, elogiado no seu dia a dia, incentivado a fazer mais e melhor, faz toda a diferença na sua saúde mental, no modo como a família se encontra, na interação com os filhos e restantes familiares.

Um ambiente alegre, respeitador, onde todos participam nas decisões do dia a dia é um catalisador de satisfação, de qualidade de vida.

Um ambiente limitador, acusatório, ditatorial causa um stress permanente, uma tensão desnecessária que vai culminar, em doença física ou mental. Como consequência disto tudo temos as depressões, as crises de ansiedade, o isolamento, o suicídio ou o assassinato.  

Temos ainda crianças e adultos com uma autoestima baixa, que acabam por acreditar serem filhos de um Deus menor, inferiores, que deixam que lhes matem a criatividade e a alegria de viver.

Temos pessoas que se vestem, falam ou projetam tudo o que fazem no que “os outros valorizam”. Somos mais que o nosso intelecto, somos feitos de emoções.

Necessitamos da aprovação do outro, de sentirmo-nos fortes, parte de algo maior. Só através do respeito do outro, conseguimos verdadeiramente nós respeitar.

Oiço demasiadas acusações e poucos elogios. Se as pessoas entenderem verdadeiramente o poder do elogio, vão ver mudanças pela positiva nos seus colaboradores/ alunos. 

Quando me chegam, os miúdos e graúdos vem com uma ladainha negativa embrenhada no seu cérebro, de onde podemos inferir as suas crenças e sua baixa autoestima: “Eu não sou capaz”, “Os outros são sempre melhores que eu”, “Eu vou chumbar independentemente do que estudo”, “Os meus colegas são sempre valorizados eu não”, “ Eu nunca vou conseguir me portar bem”, “ Detesto as pessoas com quem trabalho. Elas são sempre perfeitas”, “Todos se portam mal mas só eu estou de castigo”, “Eu nunca serei bom aluno”, “ Os meus país preferem o meu irmão. Ele é perfeito”, Os meus colegas têm dinheiro para tudo. Eu sempre fui e sempre serei pobre”, entre outras.

Se analisarmos de onde surgiram estas crenças verificamos que vieram de figuras de autoridade/afeto, que mecanizaram, aos poucos estas crenças com base na comparação de habilidades.

Já Albert Einstein dizia sabiamente: “Todo mundo é um gênio. Mas, se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ela vai gastar toda a sua vida acreditando que ele é estúpido.”.

Todos nós, sem exceção temos potencial para sermos muito bons em algo. 

O problema põem-se quando queremos “normalizar” todos os seres humanos, como se de uma fábrica se tratasse todo o processo de educação.

É pela diferença que evoluímos como seres humanos não pela “normalidade”. 

Em vez de olharmos para o nosso colaborador/aluno e vermos sempre, as mesmas coisas negativas, sempre o copo meio vazio, tente ver o copo meio cheio.

Veja quais as qualidades que essa pessoa tem? Em que ela se encaixa melhor? Pense no que tem dado para ajudar essa pessoa a sentir-se mais integrada, mais produtiva? Saia da caixa, pense diferente.

O aluno que perturba a sala de aula é um aluno descontente em muitas vertentes da sua vida. Tente perceber quais são os seus gostos e adapte isso ao que tem de lecionar.

O seu colaborador está descontente porque? Pergunte verdadeiramente, sem sentir-se ofendido pela resposta. Lembre-se que quem faz uma boa empresa são os colaboradores. Sem mão de obra motivada a sua empresa encontra-se num precipício.

O estilo autocrático é um estilo limitador do potencial de todos. Valorize os colaboradores e verá a sua empresa ganhar mais vida.

Uma sala de aula motivadora, onde todos possam colaborar na aprendizagem é uma sala de aula com poucos conflitos. É a visão do copo meio cheio onde existe sempre a vontade de ver as questões de forma positiva, didática.

Por fim, nós humanos, não gostamos de nos sentir constantemente à prova, de nos sentirmos inseguros, de frequentar ambientes conflituosos. Se estivermos sempre a “criticar” ainda que se pense “pedagogicamente” também iremos ser criticados e gerar um ambiente acusatório e de copo meio vazio.

Se elogiarmos as coisas positivas teremos pessoas mais alegres, motivadas e trabalhadoras, geramos um copo meio cheio. Os problemas são os mesmos em ambas as visões. O modo como os resolvemos vai ditar uma boa ou uma má saúde mental de todos. Todos temos cota parte do ambiente que geramos.

E você? Vai ver a vida como um copo meio cheio ou meio vazio?

 

Autora: Márcia Abreu Carrola

 

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