Dia Mundial da Diabetes – Prevenção e controlo

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Autor – Filipe Airosa

Quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande, sempre respondi que queria ser Pediatra. No meu 10º ano de escola, comecei a refletir sobre o rumo que deveria tomar e percebi que a minha vocação era, afinal, direcionada para o cuidar da pessoa, mais do que para procurar a cura para a doença.

Licenciado em Enfermagem pela Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro, hoje sou um apaixonado pela minha profissão. Tenho gosto em vestir a bata branca, partilhar conhecimento de saúde e, acima de tudo, cuidar.

Partilho, também, um gosto especial pelo escutismo, fotografia, música e viagens (especialmente para destinos de praia). Tenho em mim todos os sonhos do mundo e espero um dia poder realizá-los todos. Identifico em mim a perspicácia e criatividade, sinceridade e assertividade como pontos a favor. Mas uma alma bastante teimosa e chata em dias menos bons. E assim sou eu, Filipe. Vemo-nos por Aveiro.

Sempre disponível para ajudar: filipeairosa@gmail.com

Celebramos hoje o Dia Mundial da Diabetes!

Esta iniciativa foi originalmente organizada pela Federação Internacional da Diabetes (IDF) e o seu objetivo é dar a conhecer a patologia e as suas implicações a todas as pessoas.

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Atualmente, dispomos de tanta informação nos meios de comunicação, mas ainda continuam a ser detetados muitos casos de diabetes no nosso país.

Como enfermeiro, mantenho a minha luta diária em insistir com as pessoas para que tentem adotar um estilo de vida saudável, com bastantes e boas razões para o fazerem, de forma a se prevenirem e aproveitarem os anos de reforma daqui a uns anos com qualidade e sem dependência a medicamentos.

No entanto, somos seres humanos. E como tal, somos muito resistentes à mudança. E como a diabetes é uma doença sorrateira, vamos “deixando andar” e a pensar que amanhã é sempre dia para mudar de vida.

Deixo-lhe, agora, uma breve explicação do que é a diabetes.

QUAL A RELAÇÃO ENTRE A GLICOSE E A INSULINA?

De forma percebermos melhor a dinâmica do nosso corpo, vamos primeiro imaginar uma situação do nosso dia-a-dia: abrir a uma porta com a chave para entrarmos em casa. Ora, para abrirmos a porta, precisamos de uma chave que encaixe na fechadura para que possamos abri-la, certo?

Semelhante situação se passa no nosso organismo: as células do nosso organismo utilizam a glicose como fonte de energia. No entanto, para que a glicose seja capaz de entrar para as células, é necessária a insulina como mediadora do processo.

Num organismo saudável, a quantidade de insulina produzida é proporcional à quantidade de glicose em circulação.

Por exemplo, após uma refeição completa, aumentam os níveis de glicemia (níveis de glicose no sangue). O nosso corpo, concretamente o pâncreas, vai libertar insulina para que a glicose possa entrar nas células e ser utilizada como energia.

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O QUE É A DIABETES?

 Cientificamente falando, a diabetes faz parte de um grupo de doenças metabólicas que se caracteriza excesso de açúcar no sangue causado pela deficiência na secreção de insulina, na sua ação, ou ambas.

Se não for controlada pode resultar em lesões a longo prazo em vários sistemas do organismo humano. Não é curável, mas pode ser controlada.

Existem vários tipos de diabetes, sendo os 3 mais conhecidos a diabetes tipo 1, diabetes tipo 2, e diabetes gestacional:

  • Diabetes tipo 1: o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. Não está diretamente relacionada com hábitos de vida ou de alimentação errados, mas sim com a falta de insulina. A pessoa necessita de uma terapêutica com insulina para toda a vida;
  • Diabetes tipo 2: o pâncreas produz quantidades normais ou excessivas de insulina, mas o organismo não a usa com eficácia. Este tipo de diabetes aparece normalmente na idade adulta e o seu tratamento, na maioria dos casos, consiste na adoção de uma dieta alimentar em conjunto com atividade física regular. Caso não se consiga controlar desta forma, a pessoa deve recorrer a medicação específica e, em certos casos, ao uso da insulina.
  • Diabetes gestacional: desenvolvida durante a gravidez, aproximadamente 1 em cada 20 grávidas desenvolve a patologia. Se bem controlada, é uma condição clínica que desaparece no fim da gravidez. É muito importante que os valores sejam controlados, em primeiro lugar pelos riscos para a mãe e para o feto e, em segundo lugar, porque as mamãs podem desenvolver diabetes tipo 2 mais tarde, após a gravidez.

Quando os valores não estão devidamente controlados, podem surgir num futuro a médio/longo prazo algumas complicações, entre outras, a nível dos rins, dos olhos, do sistema músculo-esquelético e do nosso sistema nervoso.

ESTEJA ATENTO!

Existem vários fatores de risco associados ao desenvolvimento da doença. Um deles é o fator genético, ou seja, se tem história familiar de parentes (avós, pais, tios) que desenvolveram a doença, então o risco de você também a desenvolver está aumentado.

Infelizmente, a informação genética que é transmitida ao longo das gerações e a predisposição para desenvolver determinadas patologias estão intimamente relacionadas.

No entanto, existem outros fatores que são determinados pelo estilo de vida que cada um de nós adota!

Excesso de peso, falta de exercício físico, falta de descanso e uma alimentação pouco cuidada são fatores de risco que o tornam muito suscetível à diabetes. E não podemos culpar os genes! A responsabilidade de adotarmos hábitos de vida menos bons são da responsabilidade de cada um de nós!

Procure manter os valores controlados dentro dos parâmetros normais 70-100 mg/dL em jejum, ou até 140mg/dL ocasionalmente.

De forma a facilitar a compreensão dos números, vamos representá-los numa forma gráfica:

  • Em jejum:

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  • 2 horas após uma refeição:

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Se começar a sentir mais cansaço, mais sede, urina mais vezes, visão turva, apetite incontrolável e/ou sudação excessiva, deve procurar apoio de profissionais da saúde.

O diagnóstico da Diabetes deve ser considerado se tiver:

  • Glicemia ocasional de 200 mg/dL ou superior com sintomas
  • Glicemia em jejum (8 horas) de 126 mg/dl ou superior em 2 ocasiões separadas de curto espaço de tempo
 DIABETES EM PORTUGAL

Não só é importante compreender a doença, como também é importante perceber em números o impacto no nosso país.

Só por curiosidade, sabia que:

  • 13% corresponde à taxa de prevalência da Diabetes em Portugal;
  • 10% corresponde à percentagem da despesa em saúde que a diabetes acarreta;
  • 40% da população portuguesa tem valores alterados da glicémia (diabetes ou hiperglicemia intermédia);
  • A taxa de prevalência da Diabetes é mais elevada nos homens (15,8%) do que nas mulheres (10,8%).

Os valores que lhe apresentamos referem-se a 2014, mas permitem-nos perceber que devemos sempre cuidar de nós e a manter um estilo de vida saudável ontem, hoje e amanhã!

O QUE PODE FAZER POR SI?

De uma forma muito genérica: Mexa-se! E alimente-se com qualidade!

Gostava de lhe deixar algumas notas sobre o que pode fazer por si na prevenção e controlo da diabetes:

  • Seja ativo, pratique regularmente exercício físico. São inúmeros os benefícios da atividade física em termos psicológicos, biológicos, cognitivos e sociais
  • Vá passear com os seus amigos e vizinhos
  • Faça exercícios e modalidades que goste
  • Estabeleça metas e monitorize o seu progresso
  • Faça algo que seja perto de casa ou do trabalho
  • Alimente-se bem e com qualidade. Equilíbrio e bom senso não pesam no prato
  • Comer bem significa variedade e várias vezes ao longo do dia. Pelo menos 6 refeições!
  • Todos os alimentos são importantes para suprir as nossas necessidades
  • A hidratação é fundamental para filtrar o sangue e manter o bom funcionamento do nosso organismo
  • Opte por alimentos com pouca gordura e controle o consumo de hidratos de carbono e açúcar. Abstenha-se de comer o pão à refeição, por exemplo. Deixe de adicionar açúcar no café.
  • Durma e repouse. Uma das nossas atividades diárias que mais nos descuidamos. Umas boas horas de sono preparam-nos para o amanhã… Dão-nos energia, mais capacidade de concentração e de lidar com o stress, mais destreza de raciocínio e aprendizagem, promovem um melhor ambiente de trabalho e contribuem para a diminuição do risco de desenvolver várias doenças
  • Cumpra com o regime terapêutico instituído pelo seu médico
  • Saiba os seus valores!

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Autor: Filipe Airosa

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