Dor crónica atinge 3 milhões de Portugueses

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Dor crónica em Portugal e tramento

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Três milhões de portugueses sofrem de dor crónica, uma realidade que custa 4,6 mil milhões de euros ao país todos os anos, revelou um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

«Fizemos um estudo recente que revela que os custos diretos são dois mil milhões de euros por ano, e 2,6 mil milhões em indiretos (baixas, reformas antecipadas e as perdas de emprego).

Ou seja, tudo somado 4,6 mil milhões de euros por ano. O que é 2,7% do PIB, mais do que o défice deste ano», explica José Castro Lopes, professor da FMUP, que hoje abriu o 5.º Congresso da Associação Portuguesa para o Estudo da Dor (APED) a debater futuro do tratamento da Dor em Portugal.

A dor, e nomeadamente a dor crónica, pode ter um impacto significativamente negativo na qualidade de vida dos doentes e dos seus familiares.

dor crónica

Dor crónica
A Direcção Geral de Saúde define dor crónica como uma dor prolongada no tempo, normalmente com difícil identificação temporal e/ou causal, que causa sofrimento, podendo manifestar-se com várias características e gerar diversos estádios patológicos.

Esta dor pode ser neuropática, nociceptiva, psicossomática (psicológica) e idiopática. É uma dor destrutiva, degrada a qualidade de vida do doente, altera as suas capacidades funcionais, afecta o bem-estar psicológico e espiritual, as relações interpessoais, promove o afastamento social, perturba o sono, altera o apetite, ocasiona depressão e perturbações psicomotoras. A dor crónica pode ser maligna ou não maligna e pode ser contínua ou intermitente.

Na Europa, atinge um em cada cinco adultos (19 por cento), e a sua prevalência está a aumentar. Um terço dos doentes europeus com dor crónica têm dor grave e quase metade têm dor constante.

Para estes doentes, a dor significa uma deficiência física, social e psicológica:
– Dois terços dos doentes com dor têm menor capacidade ou são incapazes de dormir;
– Cerca de 60 por cento dos doentes com dor crónica têm menor capacidade ou são incapazes de trabalhar fora das suas casas;
– A um em cada cinco doentes com dor crónica foi diagnosticada depressão em consequência da sua dor;
– Até 50 por cento dos doentes com dor crónica referiram uma capacidade reduzida para manter relacionamentos familiares e relações sexuais.

Além do impacto na qualidade de vida dos doentes, a dor crónica é também um fardo financeiro substancial para a sociedade, uma vez que constitui uma das formas de sofrimento de mais elevado custo nos países industrializados.

Em toda a Europa, a dor crónica representa aproximadamente 500 milhões de dias de trabalho perdidos em cada ano, custando à economia europeia cerca de 34 mil milhões de euros. Um em cada 5 doentes com dor crónica perdeu um emprego em consequência da sua dor.

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Dor Nociceptiva
A dor provocada por uma lesão ou dano tecidular é classificada como dor nociceptiva. Os receptores conhecidos como nociceptores são activados neste processo. Os nociceptores são “sensores da dor” que detectam estímulos da dor e transmitem-nos ao sistema nervoso central.

Sensação de dor que emana da pele, músculos, articulações, ossos ou tecido conjuntivo é classificada como dor somática. É de natureza cortante e, habitualmente, fácil de localizar. Se a dor tem origem nos órgãos internos, como no caso de ataque biliar ou apendicite, é conhecida como dor visceral. A dor visceral é frequentemente vaga, contínua e bastante difícil de localizar.

Dor neuropática
Em contraste com a dor nociceptiva, a dor neuropática não é provocada por dano tecidular, mas por lesão ou perturbação funcional no próprio nervo. A dor é descrita como queimadura, cortante e tipo choque eléctrico. Os factores que provocam a dor neuropática incluem perturbações metabólicas como a diabetes ou doenças infecciosas como a zona.

Dor psicossomática
Esta forma de dor não é baseada em causas orgânicas. A dor psicossomática é provocada por problemas psicológicos. Mas isto pode ser difícil de detectar.

Dor idiopática
Utiliza-se o termo “dor idiopática” para indicar que se desconhece a causa; o médico não encontra provas que sugiram uma doença nem uma causa psicológica.

Dor aguda
É uma dor que surge após uma lesão, é auto limitada e desaparece com a lesão. Uma dor aguda pode ser considerada como benéfica por constituir um alerta. Associa-se a uma resposta ao stress, com elevação da pressão arterial, aumento da frequência cardíaca, midríase e frequentemente a uma contracção muscular local.

Quando uma dor aguda não é tratada conduz a uma resposta hormonal com alterações metabólicas e circulatórias, manifestando-se taquipneia, taquicardia, alargamento da pressão de pulso e aumento da actividade do sistema nervoso simpático (SNS), conduzindo ainda à libertação de corticosteróides e à alteração da resposta imunológica.

Esta dor é frequentemente agravada pela ansiedade que gera e por espasmos musculares reflexos secundários. Há recomendações para que as dores agudas sejam tratadas energicamente.

A dor aguda é a resposta fisiológica normal e previsível a um estímulo prejudicial (nocivo). Pode ser claramente localizada e a sua intensidade correlaciona-se com o estímulo.

Em contraste com a dor crónica, é de duração limitada e diminui com o fim da lesão ou com a cura. A dor aguda tem uma função protectora e de alerta. Indica que existem lesões e previne lesões adicionais, pois desencadeia reacções de evitação.

Tratamento
A Organização Mundial de Saúde (OMS) salienta que na terapêutica da dor deve ser considerada a situação clínica para a selecção do tratamento a utilizar com ajuste em função das necessidades do doente.

Assim, a terapêutica da dor crónica deve ser efectuada “pelo relógio”, isto é, com intervalos de tempo regulares, administrando-se uma dose adicional quando surge a dor eruptiva, isto é, quando surge um agravamento ocasional da dor.

O objectivo da terapêutica da dor crónica tem de ser a supressão da dor ou, se tal for impossível, iniciar o tratamento suficientemente cedo para prevenir o desenvolvimento da denominada “memória da dor”. A designação “memória da dor” descreve o fenómeno da persistência da dor apesar de a lesão já estar curada.

Devido à sua complexidade, a dor crónica requer abordagens diferenciadas e complementares, como tratamento físico e psicológico e terapêutica farmacológica. Isto inclui uma gama alargada de medicamentos para alívio da dor (analgésicos).

Dependendo da gravidade da dor, estão disponíveis tipos diferentes de analgésicos. São utilizados medicamentos não-opióides para o tratamento da dor ligeira. Estes são também denominados “analgésicos de acção periférica”, pois apresentam predominantemente efeitos periféricos.

Para os casos de dor mais grave, podem ser utilizados medicamentos opióides, também são denominados “analgésicos de acção central” (CAA), uma vez que apresentam principalmente efeito central (no cérebro ou medula espinal).

Além disso, são utilizados analgésicos adjuvantes, quando tal for adequado. Os analgésicos adjuvantes são medicamentos cuja indicação principal não é o alívio da dor, contudo demonstram alguns efeitos analgésicos (por exemplo, antidepressores).

Já os casos de dor aguda pós-operatória podem ser tratados com opióides sendo a redução da dose efectuada posteriormente. Os Anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) estão indicados na dor ligeira a moderada. Idealmente, o alívio da dor aguda consiste na remoção o agente causal, no entanto são muitas as situações em que a abordagem analgésica deve ser instituída imediatamente antes do diagnóstico etiológico e de ser possível a remoção do agente causal.

Adicionalmente, o controlo da dor pode ser apoiado por abordagens não farmacológicas como estimulação nervosa eléctrica transcutânea (TENS), acupunctura ou hipnose.

 

fonte:atlasdasaude.pt

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