Escola, Professores, Alunos e Pais

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Autora – Márcia Carrola  

Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia

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Escola, Professores, Alunos e Pais – o Ensino nos dias de hoje 

O ensino assim como a saúde sempre deram “que falar” no nosso pais plantado a beira mar. Diariamente ouvimos vozes de contestação, reformas educativas de tempos em tempos e queixas, muitas queixas.

Os professores queixam-se dos alunos, das famílias, da carga letiva e dos conteúdos a lecionar.  Os alunos queixam-se da matéria que não lhes diz “quase nada”, da atitude dos professores e dos trabalhos de casa.

Os encarregados de educação estão “nos cornos do touro” porque as vezes não sabem bem qual a atitude mais correta a ter. Também estes falam de tudo e de todos.  Há ainda um grande secretismo no que se passa nas escolas. Há ainda um grande secretismo no que se passa nas famílias.

Quando são pró-ativos são “barrados” pelas regras das escolas que limitam em muito a intervenção dos pais no processo educativo. Os encarregados de educação são chamados de tempos em tempos, para festas e umas entrega de quadro de mérito ou de excelência ou quando o seu educando se portou de forma errada com alguém.

Há professores que mandam, recados de coisas banais e não das coisas realmente importantes para um bom percurso escolar. Há também os professores dedicados, comunicativos, muitas vezes no papel de diretor de turma, que tentam servir de facilitador no processo educativo. Dos bons alunos, os bem-comportados, não temos notícias. Quando questionam algo, os pais logo são rematados com os decretos lei das necessidades educativas especiais, dos regulamentos internos, da morosidade dos processos e da necessidade de tudo seguir concursos morosos, demorados, os quais perdemos o rumo.

Continuamos a ter muitas escolas do seculo XIX, sem condições, frias, húmidas, sem laboratórios, sem ferramentas para estimular a criatividade, o espírito científico, o gosto por aprender e ensinar.

Temos aulas de Educação tecnológica que mais parecem aulas de trabalhos manuais pois esparguete, barro, papel e tesoura pouco têm de tecnológico e é mais do mesmo… Temos depois docentes do século XX, mais vanguardistas, inovadores e criativos que são “domesticados” logo nas escolas porque todos têm de aprender o mesmo e da mesma maneira ainda que sejam “criaturas” individuais, com estilos de aprendizagens diferentes.

Continuamos a “treinar” operários para obedecer, para trabalhar nas fábricas sem pensar muito.  Ai de quem quer ser diferente, criativo ou inovador! O respeito pelas diferenças reside bem mais nos papeis, impecavelmente escritos e muito menos no dia a dia das escolas.

Depois temos alunos do século XXI, alunos que foram educados para os seus direitos, alunos que sabem pensar nas coisas, que não têm medo de pensar fora da caixa, de virar costas, fazer uma revolução só porque sim… Sim, temos mais uma geração rasca, fruto de outras gerações rascas, agora domesticadas e peças fundamentais para o funcionamento da máquina atual.  

Temos de geração em geração, mais do mesmo. Sempre os mesmos problemas, as mesmas questões nunca resolvidas, que se agudizam nos maus resultados, no detestar a escola.

É necessário parar de vez com a loucura das “queixinhas” e tentar-se solucionar o que não funciona. É necessário humanizar-se as escolas, as famílias, as crianças e não se pensar só no dinheiro, na carreira, no futuro que nunca virá.

É necessário deixar as crianças serem crianças e não impingir currículos de adulto, altamente estruturados e limitadores.

É necessário incluir as famílias verdadeiramente, sem as tomar, logo a partida como inimigos.

É necessário valorizar os professores, darem-lhes a autonomia devida para ensinar, ao seu jeito, com o seu método.

O ensino doméstico em Portugal está a ganhar a cada dia que passa mais adeptos. Eu própria já equacionei variadas vezes essa possibilidade porque sinto, demasiadas vezes, que tudo na nossa casa gira a volta da escola, dos seus horários, dos TPC’S, dos trabalhos, das minifichas e dos testes.

Os meus filhos levam para fazer em casa, bem mais trabalho do que eu, adulta com uma vida stressante. Se nada se fizer ao nosso sistema de ensino mais pessoas irão equacionar essa possibilidade. E é uma pena … porque eu ainda acredito, eu ainda quero acreditar que a escola, o ensino nas escolas pode ser tudo o que em teoria sabemos que é.

Autora: Márcia Abreu Corrola

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