Hospitais serão penalizadas ou beneficiadas em função do atendimento

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Os hospitais e centros de saúde vão passar a ser financeiramente penalizados ou beneficiados em função dos seus espaços de atendimento, medida que vai ficar definida no diploma da contratualização dos serviços de saúde para o próximo ano.

Constantino Sakellarides, consultor do ministro da Saúde, revelou hoje que as unidades de saúde vão ser obrigadas a ter um responsável pela qualificação dos atendimentos que vai atuar em vários aspetos: o físico, o relacional e o da literacia em saúde.

“O Serviço Nacional de Saúde, até para sobreviver, tem de receber bem as pessoas”, argumenta Constantino Sakellarides em declarações à agência Lusa à margem da conferência “Literacia em Saúde: Uma estratégia nacional”.

O novo diploma da contratualização dos serviços de saúde vai prever uma penalização para espaços de atendimento desadequados e irá beneficiar os casos de boas práticas.

Ainda terá de ser criado um regulamento em que se define quais os casos que podem beneficiar ou penalizar as unidades de saúde pelo seu desempenho nos espaços de atendimento, mas serão contemplados vários níveis.

As instalações físicas, como por exemplo, o conforto e dignidade das salas de espera são um dos aspetos a avaliar.

“Há atendimentos fisicamente inaceitáveis, casos em que as pessoas esperam na rua”, exemplificou Sakellarides.

Outro nível a contar é o relacional, ou seja, a forma como o secretariado clínico atende e encaminha os utentes.

O consultor do ministro da Saúde reconhece a pressão que sofrem estes profissionais do secretariado clínico e considera que precisam de um suporte de apoio e de formação adicional — não formal — para melhor atenderem os utentes.

Contará também para uma avaliação dos espaços de atendimento a promoção da literacia em saúde, a forma como as unidades de saúde aproveitam para transmitir mensagens que dão aos doentes a capacidade de decidir inteligentemente sobre a saúde.

“As salas de espera são um excelente vínculo para transmitir informação”, justifica Constantino Sakellarides, que revela que está em estudo a criação de um canal de produção de conteúdos que possam ser emitidos nos ecrãs dos atendimentos das unidades de saúde pública, à semelhança do que já acontece em muitas unidades privadas.

 Neste sentido, por exemplo, uma sala de espera em que os instrumentos para transmitir mensagens ou informação (como televisores) estão desligados ou são usados de forma inconveniente pode significar uma penalização no orçamento da unidade de saúde por via do diploma de contratualização.

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