Sabia que brincar é fundamental para o desenvolvimento do seu filho?

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Autora – Susana Rodrigues (Psicóloga Clínica)

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O seu filho brinca o suficiente? Esteja atento é importante para o seu desenvolvimento!

O ato de brincar está presente em todas as culturas e faz parte da constituição do ser humano desde o nascimento. O brincar favorece o crescimento e o desenvolvimento infantil.

A sua expressão e evolução são indicativos de saúde, bem como a sua ausência ou limitação são indicadores de que algo da ordem psíquica não está bem com a criança.

Num primeiro momento, o bebé brinca com a sua mãe como se esta fosse parte do seu próprio corpo. Donald Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, chamou a mãe de playground do bebé, pois inicialmente, o bebé e a mãe compõem a mesma unidade psíquica, segundo o autor, que considera a mãe suficientemente boa na medida em que consegue adaptar-se às necessidades de seu bebé, incluindo aí a necessidade de brincar (WINNICOT, 1975).

 Após esse período inicial, o bebé começa a brincar consigo mesmo, com as partes do seu corpo e em seguida com os objetos que escolhe para carregar a todos os lugares (cheirinhos, bicos, bichinhos, entre outros).

Esses objetos, chamados de transicionais, colocam-se na zona intermediária, na separação entre a mãe e o bebé, ajudando-o a tolerar a angústia de separação e a ausência materna (WINNICOT, 1975).

Posteriormente, vem o brincar simbólico, o faz-de-conta e o brincar com o outro. 

É neste processo de brincar que a criança vai construindo a sua personalidade e as suas estratégias de confronto e de solução de problemas. Neste processo também se encontra a origem da criatividade, segundo alguns autores.

Diante disto, vale a reflexão: Que espaço de brincar estamos a propiciar às as nossas crianças? Que tempo de brincar estamos a  proporcionar aos nossos pequenos? Como diz Winnicott (1975) “o brincar é por si só uma terapia”.

É através do brincar que as crianças elaboram os seus conflitos, assimilam a realidade e desenvolvem o relacionamento interpessoal, entre outras coisas.

Por isso, é muito preocupante quando encontramos crianças que não brincam. Esse é um alerta para pais e educadores: uma criança que não brinca ou que tem restrita a sua capacidade lúdica, é uma criança que não está bem e que precisa de ajuda.

Esse também é um dos motivos pelos quais o trabalho psicoterapêutico infantil se desenvolve a partir do brincar. O lúdico e a brincadeira equivalem ao processo de livre-associação do adulto.

É através do brincar que o/a psicoterapeuta pode estabelecer as conexões do discurso e da sintomatologia atual com a história da criança na busca da cura.

Quanto mais brinca uma criança, mais possibilidades de saúde ela terá. E se ela não brincar, o nosso papel como psicoterapeutas, pais e educadores é de ajudá-la a brincar. E isso envolve tempo e dedicação, muito mais do que brinquedos, pois quando há um ambiente propício ao brincar, tudo o que está no próprio ambiente serve à brincadeira (uma vassoura pode ser um cavalo, uma colher se transforma numa varinha mágica, um lençol pode ser uma cabana). E por aí vai a fantasia.

O processo lúdico auxilia a criança a crescer, a desenvolver-se e a transformar-se em adulto que pode brincar e inventar na universidade, no ambiente de trabalho e no relacionamento com as outras pessoas.

 

Autora: Susana Joaquim Rodrigues, psicóloga clínica, CRP 07/15823
Fontes:WINNICOTT, D. W. (1975) O Brincar e a Realidade. Trad. J. O. Abreu e V. Nobre. Rio de Janeiro: Imago.

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