Síndrome de Peter Pan – adultos que não querem crescer

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Autora – Joana São João Rodrigues 

Psicóloga Clínica, Mestre em Psicologia

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Síndrome de Peter Pan: Adultos que não querem crescer

A Síndrome de Peter Pan foi um conceito que se começou a utilizar em Psicologia desde a publicação de um livro escrito em 1983 “The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown Up” (A Síndrome do homem que nunca cresce), escrito pelo Dr. Dan Kiley, psicólogo norte americano.

Apesar de não existirem evidências claras que esta síndrome seja uma doença psicológica real, e por isso não está referenciada nos manuais de transtornos mentais, esta síndrome que bloqueia a maturidade emocional da criança, caracteriza-se por um conjunto de características imaturas em aspectos comportamentais, psicológicos, sexuais ou sociais, podendo causar dificuldades de adaptação nos adultos que desenvolveram esta problemática.  

Segundo Kiley, a pessoa tende a manifestar seis sintomas centrais:

  • irresponsabilidade,
  • ansiedade,
  • solidão,
  • conflito relativo ao papel sexual masculino,
  • narcisismo
  • machismo.

Referia-se a este termo como um atraso na tomada de decisões fundamentais como forma de evitar as responsabilidades associados ao adulto.

Segundo Kiley, existem outros sinais, tais como a maior sedução pela juventude passada do que pelo momento presente, inseguranças (apesar de demonstrarem o contrário), viver centrado em si mesmo, estar sempre insatisfeito com o que tem (embora não tome iniciativas para alterar a situação), sentimento de que a vida nunca será como gostaria, vivendo sempre uma completa desilusão.

São pessoas que se recusam a crescer, demonstram uma forte imaturidade emocional e têm um grande medo de não serem amadas e acabarem por serem rejeitadas.

São pessoas que preferem afastar-se das exigências do mundo real e esconderem-se num mundo de fantasias e ilusões. E desta forma podem não conseguir desempenhar as suas tarefas e responsabilidades com sucesso nas áreas profissionais e também na vida pessoal.

Tendencialmente estas pessoas têm dificuldade em cortar a ligação de dependência com os pais e, geralmente, têm apenas relações superficiais com os outros. Precisam de ter ao seu lado alguém que atenda as suas necessidades, que as cuide e que as façam sentir-se protegidas.

As consequências da Síndrome de Peter Pan podem levar a alterações emocionais graves, como elevados níveis de ansiedade e de tristeza que podem levar à depressão. Estas pessoas sentem-se insatisfeitas com as suas próprias vidas, uma vez que não assumem a responsabilidade pelas suas acções, o que faz com que não tenham realizações próprias, afectando directamente a autoestima.

Essa resistência em crescer, associada a esta Síndrome é mais comum em homens do que em mulheres.

A Síndrome de Peter Pan é causada por múltiplos factores, tais como traços de personalidade dependente, o estilo de lidar com problemas e padrões educacionais. Tendencialmente as crianças superprotegidas podem mais facilmente desenvolver este distúrbio.

Amadurecer não significa perder a criança que há dentro de nós, pois é essencial que essa criança se mantenha, e às vezes, para que a vida não seja tão rígida, saia também a brincar. Contudo é importante não permitir que essa criança domine e dificulte a nossa vida adulta, como no caso de Peter Pan. É crucial conseguirmos criar uma relação harmoniosa entre o adulto e a criança interior e alcançar um equilíbrio entre estas duas partes de nós.

 

Autora: Joana de São João Rodrigues 

 

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